Se precisou de mais de nove anos para alcançar o seu primeiro triunfo contra o Corinthians na Neo Química Arena, o São Paulo perdeu a chance de chegar ao segundo jogo vencido dos últimos três confrontos em sequência na casa do arquirrival. Ganhava o clássico contra o Corinthians até o limite do tempo regulamentar, mas cedeu o empate em um resultado mais leal ao que foi a partida.
Mesmo caindo de produção na 2ª etapa, o Corinthians foi superior a maior parte do tempo. Pecou na qualidade dos arremates e desperdiçou oportunidades claras antes de Tapia abrir o placar. O Tricolor também teve uma queda de rendimento após o intervalo e pouco manteve a posse de bola ou apresentou competitividade defensiva para frear o ímpeto do Timão no fim.
Escalações
Dorival Junior ainda não pôde escalar Memphis, Garro e Martinez. Kayke foi o escolhido para formar a dupla de ataque com Yuri Alberto. O restante do time foi o mesmo da estreia contra a Ponte Preta. Hernán Crespo montou o time no 4-4-2, mas mexeu em cinco peças e formou o meio em losango. Maik foi o lateral-direito. Alan Franco compôs a zaga com Arboleda. Tapia e Luciano foram o ataque.
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Como Corinthians e São Paulo iniciaram o clássico válido pela 3ª rodada do Paulistão 2026 — Foto: Rodrigo Coutinho

O jogo
A diferença de precisão para finalizar entre os rivais acabou definindo o placar na 1ª etapa. O Corinthians produziu mais. Perdeu boas chances, principalmente com Yuri Alberto e Matheuzinho, e isso foi determinante para a derrota parcial diante de um São Paulo mais certeiro ao arrematar contra a meta de Hugo.
Tapia aproveitou o belo cruzamento de Danielzinho de canhota e subiu entre os dois zagueiros alvinegros para anotar de cabeça aos 36 minutos. Foi a primeira finalização tricolor no jogo. A altíssima conversão em gol quase apareceu novamente na sequência. Luciano, também de cabeça, parou em Hugo, que neste lance reagiu da forma habitual e fez grande defesa.
Tirando os dois lances citados acima, a produtividade visitante foi baixa. O São Paulo cometeu vários erros ao tentar avançar ao ataque com trocas de passe curto desde o campo de defesa. Sucumbiu algumas vezes a uma pressão encaixada dos corintianos, e poderia ter sofrido gols assim. Matheuzinho teve grande chance em lance construído pelo onipresente André.
Yuri Alberto foi outro a mandar para fora após roubada de bola de Raniele na entrada da área rival. O camisa 9 pecou em uma cabeçada por cima aos 12 minutos, e arrematou bem um contragolpe puxado por André. Rafael fez defesa importante. O goleiro tricolor apareceria ainda com destaque ao parar chutes de Matheus Bidu e Kayke de média distância.
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Jogadores comemoram gol de Tapia em Corinthians x São Paulo — Foto: Marcos Ribolli
O jogo ofensivo dos donos da casa foi mais fluído antes do intervalo. Contou com participações constantes e efetivas dos laterais na intermediária contrária. Isso fazia com que Marcos Antônio e Bobadilla os combatessem e abrissem lacunas centrais difíceis para Danielzinho controlar. Breno Bidon aproveitou para circular bem pelo setor. Kayke também gerou volume ofensivo por dentro.
O jovem atacante cumpriu ainda um importante papel defensivo. Nos momentos em que o São Paulo se instalava no ataque, ele retornava pelo flanco esquerdo para dobrar a marcação com Matheus Bidu e montar uma linha de quatro no meio. Carrillo, mal em campo, abria para fazer o mesmo com Matheuzinho pela direita. Bidon prenchia a faixa central com André e Raniele.

Mesmo sem a mesma produção adversária, o São Paulo conseguiu terminar a 1ª etapa com mais posse de bola, fruto dos bons movimentos de Marcos Antônio e Danielzinho para gerar linhas de passe entre as intermediárias, além de Lucas e Luciano se movendo perto da área. Wendell foi mais agudo do que Maik, que por sua vez mostrou-se seguro defensivamente. Tapia esteve incansável.
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Yuri Alberto e Alan Franco em Corinthians x São Paulo — Foto: Marcos Ribolli
O ritmo do jogo caiu na volta para o 2º tempo. O Corinthians naturalmente aumentou o seu período de posse de bola. Isso, no entanto, não significou mais criatividade. A única jogada de real perigo dos primeiros 15 minutos veio em um escanteio cobrado por Matheuzinho para Gustavo Henrique. Rafael fez outra boa defesa.
O São Paulo começou a administrar cedo demais. Seja ao demorar para repor a bola em jogo ou ao tirar a velocidade da partida em trocas de passe entre as intermediárias. As pressões do Timão no campo rival ao subir o bloco de marcação já haviam sofrido uma natural queda. Breno Bidon caiu bastante de produção depois dos 30 minutos iniciais de jogo e o alvinegro sentiu sua falta para criar.
Matheus Pereira reestreou no Corinthians depois de 11 anos ao entrar perto da metade do 2º tempo. Carrillo saiu. Dieguinho foi outro a entrar. Kayke deixou o gramado. Pouco depois foi a vez de Vitinho substituir Raniele. No São Paulo, Wendell cedeu espaço ao jovem Nicolas na lateral-esquerda.
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Rafael e Alan Franco em Corinthians x São Paulo — Foto: Marcos Ribolli
Dorival apostou em Pedro Raul como última cartada vinda do banco de reservas. André saiu. O Timão se montou praticamente em um 4-2-4. Pedro Raul e Yuri Alberto no centro da linha de frente. Dieguinho e Vitinho pelos flancos. Já Crespo, utilizou Cédric Soares, Ferreira, Pablo Maia e Calleri nas vagas de Maik, Lucas, Marcos Antônio e Tapia. Não alterou a estrutura tática do time até o apito final.
A falta de condicionamento para manter um duelo mais competitivo ao longo da 2ª etapa ficou nitída nas duas equipes. Pouca coisa se alterou nas partes técnica e tática. O Corinthians tentava pressionar, mas não encontrava meios de fazer isso de forma efetiva. Abusava do direito de errar, não se conectava devidamente nas proximidades da área.
O maior pecado visitante, no entanto, foi não reter a bola no ataque ou oferecer combates mais firmes aos avanços corintianos. Acabou sucumbindo nos acréscimos. Bidon reapareceu, ganhou um duelo com Alan Franco ao receber de Matheus Pereira na área e tabelou com Pedro Raul antes de empatar aos 44′.
O Corinthians ainda pressionou nos acréscimos em busca da virada, mas não havia mais tempo para uma mudança no placar. As duas equipes estão na metade da tabela de classificação.

